Letter from
Quarto

We are in a place of uncertainty.

In between or before or after. Not now. Now, more than never.

Living the lack of life before the pandemic, absence of meetings with inspiring people, that we hug with our chest. Those that make our world, and with their absence life becomes lonely, desert like & dry. However, it has been already a while we have been questioning the sustainability of this previous style of life. But now?

Now we trying to fix it.

We are a generation that did not take the world so seriously.

We should have changed the course before. We should have been more aware.

We have messed something up. The 20th century governed by white men feared new ideas.

The complexities of 21st century demand new and good ideas from all of us, ideas that will set the new paradigms.

The generation that was born in the 90ies and year 2000 has found this messed up, devastated world.

 And this same generation is trying to do things that will make a difference, Greta Thumber is an example of that.

* * *

We need a different rebellious way of thinking

We need to be rebellious.

We need an innovative way of thinking.

We need a whole new range of possibilities.

We need a divergence.

We need a way of thinking that includes others.

 Last century skills are not valid anymore in the 21st century.

This new world needs a new vision, but we are still insisting in maintaining the old ways.

‘NOS’ in Portuguese means ‘knots’, but ‘Nos’ also means ‘We/Us’

Would we be ‘knots’ or ‘us ‘of this world?

One thing seems certain to me, the world has changed and we need to untangle ourselves, unravel ourselves, undo ourselves.

We are in transition, in the place in between

We are in retrograde, but at the same time we are in urgent need of important change.

Looking into the eye of the hurricane.

For use that make a living from imagination and subjectivity this is surely not an easy time, it hasn’t been easy earlier either.

The neoliberalism usurps everything, and has also usurped our so esteemed imagination.

It wants us to believe that we need to sell our merchandise as ready and packaged goods and that the law of the market is like this, without any other possibility or alternative. The ultra neoliberalism is violently taking possession of everything we have.

* * *

We are thinking from a personal perspective, but also from a shared perspective at the same time.

We have been in a long quarantine for 5 months.

The quarantine as a political and religious division. The ‘Bolsonarism’ has hit us hard, how could we have avoided it? Many of our friends have been crushed by the ‘Bolsonarism’, and there is much more to come. We need to act. This dissent of opinion needs to clean up everything, needs to be violent, it needs to be, otherwise it will not work. It needs to appear with the same strength as the object that imposes this division.

For all of us that live a radical life, that we work together, live together, raise children together, work on projects together, work in the same office together etc the quarantine wouldn’t been so challenging if it didn’t become an object of a political dissent.

But it also has been time of looking after each other, caring in the family, it has been and still is a time of affection.

It has been time of yoga, meditation, reading, writing, music, of hugging and gratitude for everything.

And not only due to the co-living in an apartment.

It could have been another experience from a horny, adventurous, overwhelming perspective of life that we share.

But the worse politician of the quarantine has been a funeral shout against the irresponsible government that until this day has neglected 136,000 lives.

The future seems uncertain to us.

We live a live between two continents, we have done it for over 17 years.

 We live the utopias from this place, between

Those places that we inhabit, today, become places filled by political disasters, a succession of political and humanitarian disasters.

How to counter this? How to resist against neoliberal desires, denialists and far-right fascists? How to exist, share and collaborate? How does this potential space of interconnectivity, of resistance, sharing and collaboration look like?

We still do not know, eventhou that we are here, but we do know that our place needs to be defended. The culture of sharing needs to be defended, the culture of We/Us needs to be defended and soon.

 Which are the abilities that we need in order to tackle the current issues and those that are yet to come?

Will are be able to save the world? I believe so. I also believe that in the times of suspense such as these, every kindness is a toast to life.


Jim Jarmusch, wrote, nihilistically:

“Nothing is original. Steal from anywhere that resonates with inspiration or fuels your imagination. Devour old films, new films, music, books, paintings, photographs, poems, dreams, random conversations, architecture, bridges, street signs, trees, clouds, bodies of water, light and shadows. Select only things to steal from that speak directly to your soul. If you do this, your work (and theft) will be authentic. Authenticity is invaluable; originality is non-existent. And don’t bother concealing your thievery – celebrate it if you feel like it. In any case, always remember what Jean-Luc Godard said: “It’s not where you take things from – it’s where you take them to.”

Leandro/QUATRO

Portugese

Nós estamos no lugar das incertezas.

Entre o antes e o depois. No agora. Agora, mais do que nunca.

Vivendo a abstinência da vida antes pandemia, abstinência dos encontros com gente inspiradora que abraçamos em direção ao peito. Gente que o nosso campo abarca e que na ausência a vida se torna mais solitária, desértica, árida. Porém, já faz algum tempo que questionamos a sustentabilidade dessa vida do antes. Mas e agora?

Agora estamos tentando concertar.

A gente é de uma geração que não levou o mundo tão a sério.

A gente precisava ter mudado a direção, antes. A gente deveria ter estado mais atentos, antes.

A gente fodeu muita coisa. O século 20 dos homens brancos tinha pavor das novas ideias.

As complexidades do século 21 exigem de todos nós boas e novas ideias, ideias que compreendam os novos paradigmas.

A geração nascida nos anos 90, 2000, pegou esse mundo fodido, arrasado.

E essa mesma geração está tentando fazer coisas que façam alguma diferença, Greta Thumber é exemplo disso.

* * *

Precisamos de um pensamento dissidente

Precisamos de rebeldia.

Precisamos de pensamento inventivo.

Precisamos de novas possibilidades, em todos os sentidos.

Precisamos de divergência.

Precisamos de um modo de pensar inclusivo.

As habilidades do século passado já não funcionam pro século 21.

Esse novo mundo precisa de visões novas, todavia, estamos sempre fazendo o possível para mantermos as velhas certezas.

NÓS (Knots) em português, também significa Nós (WE/US)

Seríamos NÓS os nós do mundo?

Uma coisa me parece certa, o mundo mudou e precisamos nos desenredar, nos desemaranhar, nos desfazer.

Estamos na transição, no lugar entre.

Estamos no retrocesso, ao mesmo tempo em que estamos também diante da potência da mudança urgente, necessária.

Olhando no olho do furacão.

Pra gente que vive da imaginação e da subjetividade esse não é um momento fácil, já não estava sendo.

O neoliberalismo usurpa tudo, e também usurpou a nossa tão estimada imaginação.

Quer de todo modo nos fazer acreditar que devemos vender nossas mercadorias como produtos prontos e embalados e que a lei de mercado é assim, sem nenhuma outra possibilidade ou alternativa. O ultra neoliberalismo apodera-se violentamente de tudo que nos pertence.

* * *

Estamos pensando de um lugar pessoal e, ao mesmo tempo, também compartilhado.

Passamos por uma quarentena longa, de cinco meses.

Quarentena como cisão político-religiosa, o Bolsonarismo nos atingiu com força, como não atingiria? Muitos dos nossos amigos foram esmagados pelo Bolsonarismo, e há muito ainda por vir. É necessário reagir. Essa dissidência de opinião deve varrer tudo, deve ser violenta, precisa ser, do contrário, não é nada. Ela deve estar na medida exata e surgir com a mesma força que o objeto que provoca essa cisão.

Pra gente, que vive uma vida radical, que trabalha junto, vive junto, cria filho junto, escreve projeto junto, entra em estúdio junto, viaja junto etc., a quarentena não teria sido tão desafiadora se não fosse isso ter se tornado um lugar de dissidência política.

Mas foi também um lugar de cuidados com o outro, com os nossos, foi também, e está sendo, o lugar do afeto.

Foi também o lugar da Yoga, da meditação, da leitura, da escrita, da música, dos abraços e da gratidão por tudo.

E não menos por essa convivência dentro de um apartamento.

Poderia ter sido mais uma perspectiva desse lugar tesão, aventura, avassalador, potente, que é a vida compartilhada que vivemos.

Mas o teor político da quarentena foi um grito fúnebre contra um governo irresponsável que até o exato momento negligenciou 136.000,00 vidas.

O futuro nos parece incerto.

Vivemos uma vida entre dois continentes, fazemos isso há 17 anos.

Vivemos com as utopias desse lugar, entre.

Esses lugares que habitamos, hoje, tornaram-se lugares povoados por catástrofes políticas, uma sucessão de catástrofes políticas e humanitárias.

Como contrapor isso? Como resistir na contramão dos desejos neoliberais, negacionistas, fascistas de extrema direita? Como reexistir, compartilhar, colaborar? Como parece esse potencial lugar de interconectividade, de resistência, compartilhamento, colaboração?

Ainda não sabemos, apesar de estarmos aqui, mas sabemos sim que esse lugar precisa ser defendido. A cultura do compartilhamento precisa ser defendida, a cultura do We/Us precisa ser defendida, e ponto.

Quais são as habilidades que necessitaremos para lidar com os problemas atuais e os futuros?

Será que a arte poderá salvar o mundo? Eu acredito. E acredito também que em tempos de suspensão como esses cada delicadeza é um brinde a vida.

Jim Jarmusch, escreveu, niilistamente:

“Nothing is original. Steal from anywhere that resonates with inspiration or fuels your imagination. Devour old films, new films, music, books, paintings, photographs, poems, dreams, random conversations, architecture, bridges, street signs, trees, clouds, bodies of water, light and shadows. Select only things to steal from that speak directly to your soul. If you do this, your work (and theft) will be authentic. Authenticity is invaluable; originality is non-existent. And don’t bother concealing your thievery – celebrate it if you feel like it. In any case, always remember what Jean-Luc Godard said: “It’s not where you take things from – it’s where you take them to.”

Leandro/QUATRO